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Alimentação, sobrevivência e obsessão

sábado, 17 de junho de 2017
Meu prato é sempre um reflexo da angustia que vivo em minha mente.
Nunca o que está ali é simplesmente um alimento, mas uma soma dos meus sentimentos, do meu transtorno e descontrole. É a transformação de sentimentos em matéria física. Que eu coloco para dentro sem o menor tipo de cuidado. Um biscoito vira um pacote, que vira um barra de chocolate e até se transformar em coisas que eu nem sabia que tinha em casa.

Vivi toda minha vida com uma venda sobre o meu estomago, não houve momento de apreciar o que entrava. Só existe a coxinha de três dias atrás, o bolo de amanhã, a culpa e o remorso que vem como pedras em vários tamanhos e formas, algumas pontiagudas demais para eu lidar.
Sendo sincera, eu nunca quis lidar com nada sobre esse assunto. Eu não sei como esse padrão surgiu na minha mente, acredito que é uma válvula do meu cérebro. " Pra quê se preocupar com os problemas do seu entorno se você pode ficar aqui se remoendo sobre cada coisa que você ingere e ninguém sabe? Sofra, leve seu sofrimento como um fantasma. Um fantasma que te segue 24 horas por dia e assim você nunca se sentirá sozinha"

Essa parte da minha vida é um quarto fechado que sempre solta uns sons estranhos e a porta bate sozinha. Tomei coragem pra entrar, só tinha escuridão e com  minhas forças só conseguia iluminar pequenos trechos, feito uma lanterna fraca. Me assustei com todos os vultos e demônios que encontrei.
As visitas se tornaram mais frequentes, agora estou fazendo reconhecimento do local. Já soltei alguns monstros que estavam presos em ratoeiras, encontrei muito lixo que nem é meu.
Do nada tudo fica escuro de novo e não enxergo nada. Paro, fico quieta e deixo meus olhos se acostumarem com a luminosidade. Não é um trabalho linear, infelizmente.

Minha missão é conseguir lidar com tudo que está lá e um dia, quem sabe, transformar num ambiente claro e iluminado. Porém, ainda não criei planos, não adianta. Se foco em algum assunto especifico, a paranoia volta, o transtorno volta e a obsessão só passa quando eu largo de mão. Então, antes de pensar no tipo de alimentação que quero seguir, nos valores que me importam, eu tenho que aprender a por um fim nessa guerra.
Você não pode decorar um ambiente que está entulhado. Você não pode limpar sem antes recolher o lixo que está espalhado.
O jeito é pegar uns sacos de lixo, uns panos e água, muita água.

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